Leilão de apartamento tem cinco verificações que decidem o negócio: o débito de condomínio acumulado na unidade, o que a matrícula registra (inclusive sobre a vaga de garagem), quem está morando lá hoje, se o prédio tem obra ou rateio extraordinário em curso e qual é o preço real por metro quadrado naquele edifício. Nenhuma delas aparece inteira no anúncio do lote.

A diferença em relação a uma casa é que você não compra só a unidade: compra uma fração de um condomínio com contas, regras e conflitos próprios. Um apartamento arrematado 40% abaixo da pode virar um negócio medíocre por causa de R$ 25 mil de cota condominial atrasada somados a um rateio de fachada aprovado em assembleia no mês anterior. O checklist geral de qualquer lote está em o que verificar antes do lance; aqui o recorte é o que só o apartamento tem.

O débito de condomínio é o primeiro número que você precisa descobrir

Cota condominial é obrigação propter rem: ela segue o imóvel, não a pessoa que deixou de pagar. Quem paga na prática depende do tipo de leilão e do que o diz — a regra completa, com a diferença entre judicial e extrajudicial, está em dívidas de condomínio em leilão. O que importa antes do é ter o número na mão.

Você descobre esse valor de três formas. A primeira é o próprio , que às vezes traz a certidão de débitos anexa. A segunda é o leiloeiro: peça por escrito, por e-mail, a posição de débitos do lote — o pedido fica registrado. A terceira, mais confiável, é a administradora do condomínio: ligue, dê o número da unidade e peça a posição atualizada, informando que se trata de imóvel em leilão. Administradoras costumam informar, porque o interesse delas é que a dívida seja paga por alguém.

Um apartamento com cota de R$ 620 parado há três anos acumula cerca de R$ 22 mil só de principal, e a convenção normalmente prevê multa de 2% e juros mensais sobre cada parcela vencida. Se o condomínio já ajuizou cobrança contra o antigo proprietário, existem ainda custas e honorários no cálculo. Some tudo antes de definir seu teto de — o método está em como definir teto de lance.

A matrícula do apartamento e a armadilha da vaga de garagem

A matrícula do imóvel é o documento que diz o que existe juridicamente. No apartamento, ela descreve a unidade, a área privativa, a área comum, a do terreno e, em seguida, a lista de registros e averbações: penhoras, , , indisponibilidade, . Qualquer ônus real que o não mencione é motivo para desconfiar do lote, não para ignorar.

A vaga de garagem merece atenção separada porque ela pode estar em uma de três situações. Pode ser , com matrícula própria e próprio — nesse caso, se o descreve apenas a matrícula do apartamento, você arrematou o apartamento sem a vaga. Pode ser área acessória vinculada, descrita dentro da matrícula da unidade como parte integrante, e aí ela vem junto. Ou pode ser vaga de uso comum sorteada ou rotativa, definida pela convenção, sem qualquer registro.

Confira o número de matrícula citado no contra a certidão que você mesmo pediu no cartório de registro de imóveis da circunscrição. Se o edital fala em duas vagas e a matrícula descreve uma, a que vale é a matrícula. Esse tipo de divergência é comum em prédios antigos, onde vagas foram trocadas entre moradores sem qualquer formalização.

Rateio de obra, fundo de reserva e o que a assembleia já aprovou

O passivo do condomínio não se resume ao que a unidade deve. Se a assembleia aprovou reforma de fachada, troca de elevadores ou adequação do sistema de incêndio, todo mundo paga — inclusive o dono que chegou depois, na proporção da .

Uma obra de fachada de R$ 900 mil em um prédio de 40 apartamentos significa R$ 22,5 mil por unidade, normalmente parcelados em 12 a 24 meses. Em prédios pequenos, com 12 ou 16 unidades, o mesmo tipo de obra pesa muito mais por apartamento. Peça ao ou à administradora as atas das três últimas assembleias e o balancete mais recente. Se houver rateio aprovado e não iniciado, ele entra na sua conta.

Leia também a convenção e o regimento interno com olho de investidor: prédios que proíbem locação por temporada, exigem aprovação para reforma ou limitam animais mudam o perfil de quem vai alugar ou comprar de você depois.

Quem está no apartamento hoje: ex-mutuário, inquilino ou ninguém

A ocupação define quanto tempo e quanto dinheiro separam o da chave na sua mão. Em apartamento retomado, o caso mais frequente é o ex-proprietário ainda morando no imóvel, muitas vezes sem intenção de sair. No , a saída é o mandado de imissão na posse expedido no próprio processo; no extrajudicial, o caminho é outro. O panorama está em imóvel ocupado em leilão.

Se houver , a situação muda de figura: existe prazo legal para denúncia do contrato pelo novo proprietário e há exceção quando a locação por prazo determinado tem averbada na matrícula. O detalhe está em imóvel de leilão com inquilino.

Na prática, orce a desocupação. Uma negociação amigável com o ocupante — quantia de mudança, prazo de 60 a 90 dias, entrega das chaves com termo assinado — costuma custar entre R$ 5 mil e R$ 20 mil e resolve em meses, enquanto a via judicial pode levar mais tempo e ainda exige honorários de advogado. Considere as duas hipóteses no seu cálculo.

Preço por metro quadrado do prédio, não do bairro

O erro mais caro na de apartamento é usar o preço médio do bairro. Dois prédios na mesma quadra podem ter valores por metro quadrado bem diferentes por causa de idade, estado da fachada, elevador, portaria, número de unidades por andar e valor da cota condominial.

Procure anúncios de outras unidades do mesmo edifício. Se não houver, use prédios de idade e padrão semelhantes na mesma rua. Ajuste por andar, face (sol da manhã costuma valer mais), vista e estado de conservação da unidade. Uma cota condominial alta derruba o preço de venda: comprador com financiamento tem a parcela do condomínio somada na análise de renda.

Exemplo: o bairro anuncia R$ 7.000 por metro quadrado, mas o prédio dos anos 1980, sem elevador reformado e com cota de R$ 950, negocia a R$ 5.700. Um apartamento de 70 metros quadrados vale ali cerca de R$ 399 mil, não R$ 490 mil. É esse número menor que deve entrar na sua conta de retorno.

A visita que dá para fazer mesmo sem entrar na unidade

Quase nunca você entra no apartamento antes do leilão. Ainda assim, dá para levantar muita informação indo até o endereço. Veja a fachada, o hall, a garagem, o estado dos elevadores e o quadro de avisos — comunicados sobre obras e inadimplência ficam expostos ali.

Converse com o zelador e, se possível, com o . Pergunte quanto é a cota, se há rateio em curso, se a unidade está ocupada, se há histórico de goteira ou infiltração naquela coluna e se o prédio tem processo contra o proprietário da unidade. Um síndico bem informado economiza semanas de pesquisa.

  • Confirme o número do apartamento e o andar contra a descrição do .
  • Observe se a unidade tem sinais de ocupação (medidor girando, roupa na janela, luz acesa à noite).
  • Pergunte na portaria quando foi a última reforma estrutural do prédio.
  • Fotografe fachada, hall e garagem com data, para comparar depois da imissão.

O passo a passo geral está em visita ao imóvel de leilão.

Conta fechada: apartamento avaliado em R$ 400 mil arrematado em segunda

Suponha um apartamento de 70 metros quadrados avaliado em R$ 400 mil, arrematado em segunda por 60% da . Os percentuais de variam por município e a no judicial é fixada pelo juiz, com prática de 5% sobre o valor da .

ItemValor
vencedor (60% de R$ 400.000)R$ 240.000
(5%)R$ 12.000
(3% sobre a )R$ 7.200
Registro da carta e R$ 4.500
Condomínio atrasado e rateio de obraR$ 25.000
Desocupação e reformaR$ 30.000
Custo totalR$ 318.700

O valor de mercado real, calculado pelo metro quadrado do prédio, era R$ 399 mil. O custo total representa cerca de 80% desse valor: o desconto verdadeiro foi de 20%, não os 40% que o percentual da segunda sugeria. Continua sendo um negócio possível, mas com margem que exige paciência para vender — e o cenário muda de figura se a desocupação demorar um ano, com condomínio e correndo por sua conta nesse período.

Checklist antes de dar o no apartamento

  1. atualizada da unidade e, se houver, da vaga de garagem.
  2. Posição de débitos do condomínio por escrito, com multa e juros.
  3. Atas das três últimas assembleias e balancete do condomínio.
  4. Convenção e regimento interno, atenção a restrições de uso e locação.
  5. Confirmação de quem ocupa o imóvel e a que título.
  6. Preço por metro quadrado do próprio prédio, com pelo menos três referências.
  7. Leitura completa do , com o que ele diz sobre débitos e entrega do bem.
  8. Teto de calculado com todos os custos acima somados.

Com esses oito itens levantados, o deixa de ser aposta e passa a ser conta. Para ver quais apartamentos estão abertos a lances agora, use os hubs por tipo de bem.